quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Acorde


Imagem: Injin Park

Onde passou o vento
são altas as ervas,
e os olhos água
só de olhar para elas.

(Eugénio de Andrade - primeiros poemas), oferecido pela minha amiga do coração Rachel

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um poema


Imagem: Mortem Bjarnhof


Um poeta barroco disse:
as palavras são
as línguas dos olhos

Mas o que é um poema
senão
um telescópio do desejo
fixado pela língua?

O voo sinuoso das aves
as altas ondas do mar
a calmaria do vento:

Tudo
tudo cabe dentro das palavras
e o poeta que vê
chora lágrimas de tinta


(Ana Hatherly)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Eu!


Esta sou eu vista e desenhada pelos olhos da minha grande amiga Su.

Às vezes escreve-se, escreve-se e escreve-se e mostramos o que somos.
Mas realmente como sou? como me vejo? como me sinto?

É dificil escrever sobre mim, mas vou tentar.

Mimalha que me farto!

Derreto-me com um mimo, com um sorriso,
uma palavra doce, um toque inesperado, um encontro imprevisível.

Caminho na vida por cima das ondas,
mas gosto de mergulhar nelas e sentir
o sal,
o frio,
o molhado.

Adorava viver num farol com quadros na parede,
um gato a subir as escadas até ao topo,
um candeeiro que ilumina os corpos de dentro,
com o meu amor que não falta,
com imensos livros a forrarem as paredes,
com uma vitrine cheia de bolinhas de neve,
com fotografias das pessoas do meu coração,

com um jardim pequeno que desse para outros e esses para outros - podia ter uma estufa,
com uma mesa de salgados a cobrir a sala,
para quando as pessoas que adoro baterem à porta nos sentarmos à volta da lareira e conversarmos,
rirmos,
bebermos,
abraçarmo-nos e mesmo chorar se for preciso.

Adoro viver no limiar da aventura,
viajo em mim e nos países que já conheci,
trago recordações, casas que me envolvem o peito,
uma paisagem que pintou a tela do meu corpo,
um restaurante típico,
um fogo de artíficio que não se esquece,
uma conversa noutra língua que me transporta.

Os meus olhos brilham aos sorrisos,
a uma história que não conheço, a um documentário que me inspire, fico horas a conversar sobre um assunto que me entusiasme,
vivo dentro da música, dos meus CDS que comprei, os que me trouxeram e, outros que me deram,
recebo uma palavra escrita ou falada como o maior dos presentes,
- admito que um relógio também me inspira nos meus ponteiros.... e me faz badalar também.

Sou forte,
tendenciosa com os amigos, para mim são meus, e são os melhores do mundo,
às vezes sou teimosa....nem sempre, é mais quando fico picada,
sou simples e adoro a simplicidade das coisas,
não sei mentir, e quando o faço, a minha cara revela a verdade das palavras....
sei levar a luz do farol muitas vezes para onde quero.

Sou apaixonada pela vida, pelo amor, por tudo aquilo em que acredito, que sinta na pele e me faça arrepiar.
Não sei desenhar, mas gostava,
não sei cantar, mas adorava tocar um instrumento,
recortar muito menos,
recorto círculos que mais parecem quadrados, e quadrados que mais parecem triângulos,
sei rir,
sei viver,
sei dar e receber,
sei tudo aquilo que não sei, e não sei nadas muitas vezes,
sei ser eu no melhor e no pior.

Sei ser a criança que fui,
e recordo a minha infância com muita luz,
recordo as árvores de natal cheias de bolas
dos abraços dos meus pais, das corridas,
dos passeios.

Esta sou eu vista pelos olhos de dentro!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A noite desce


Imagem: Mitchell Miller

Como pálpebras roxas que tombassem
Sobre uns olhos cansados, carinhosas,
A noite desce... Ah! doces mãos piedosas
Que os meus olhos tristíssimos fechassem!

Assim mãos de bondade me embalassem!
Assim me adormecessem, caridosas,
E em braçadas de lírios e mimosas,
No crepúsculo que desce me enterrassem!

A noite em sombra e fumo se desfaz...
Perfume de baunilha ou de lilás,
A noite põe-me embriagada, louca!

E a noite vai descendo, muda e calma...
Meu doce Amor, tu beijas a minh'alma
Beijando nesta hora a minha boca!


(Florbela Espanca)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

João Aguardela 1969-2009



O meu grande amigo Ricardo Alexandre, grande amigo do João, relata assim, "Conheci o João Aguardela em 1987 através do João Nuno Coelho, sociólogo de futebol e um amigo comum. E na altura, o que nos uniu foi sermos fãs dos Xutos & Pontapés".

E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,

sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.

(Eugénio de Andrade)

A música que não desaparece!

Conheci o João na sua casa perto da Atalaia onde vive o Ricardo, lembro-me era um tempo triste para mim, mas quando entrei naquela casa, lembro-me das crianças na piscina e eram muitas, de uma voz simpática lá de dentro que me inspirou de imediato quando comecei a passar as mãos pelos CDS da prateleira, e claro, começamos logo na conversa sobre grupos, música, e lembro-me dos Vive la Fête que era um grupo que nos agradava aos dois.

Lembro-me da casa, era girissima com uma ambiente que nos abraçava, muito acolhedor, muito alegre, e toda a gente falava de tudo, havia quem só andasse de bicicleta um amigo do João mais moreno, a mulher dele uma simpatia, senti-me muito bem naquela tarde, bebi, ri, dancei, saí de lá outra.

E lembro-me de estar sempre a dizer ao Ricardo, como é que um gajo que gostas destas músicas canta "Vamos ao circo".... sim.... questionava-me e ao mesmo tempo me encatava com a sua voz na fantástica letra "Só o sonho fica, só ele pode ficar!"

A pessoa, Ele, de facto fica na memória.

Este momento é para o meu irmão do coração Ricardo, que está de rastos mas que pela pessoa que é vai sentir o amigo sempre por dentro.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Já em 1766...



E assim é o Reino de Portugal!

Munch sem grito!



Imagem: Museu Munch Oslo Janeiro 09

Possui as obras de Edvard Munch deixadas à cidade de Oslo por testamento, o "Grito" não se encontra no museu, dado que alguém o levou para casa em 2004.

Vale a pena a visita desde esboços e quadros tocantes, está lá tudo.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vai, vou, fui, era, sou, estou!




Imagens: Narelle Autio

Vai...

Para sonhar o que poucos ousaram sonhar.
Para realizar aquilo que já te disseram que não podia ser feito.
Para alcançar a estrela inalcançável.

Essa será a tua tarefa: alcançar essa estrela.
Sem quereres saber quão longe ela se encontra;
nem de quanta esperança necessitarás;
nem se poderás ser maior do que o teu medo.
Apenas nisso vale a pena gastares a tua vida.

Para carregar sobre os ombros o peso do mundo.
Para lutar pelo bem sem descanso e sem cansaço.
Para enxugar todas as lágrimas ou para lhes dar um sentido luminoso.
Levarás a tua juventude a lugares onde se pode morrer, porque precisam lá de ti.
Pisarás terrenos que muitos valentes não se atreveriam a pisar.
Partirás para longe, talvez sem saíres do mesmo lugar.

Para amar com pureza e castidade.
Para devolver à palavra "amigo" o seu sabor a vento e rocha.
Para ter muitos filhos nascidos também do teu corpo e - ou - muitos
mais nascidos apenas do teu coração.
Para dar de novo todo o valor às palavras dos homens.
Para descobrir os caminhos que há no ventre da noite.
Para vencer o medo.

Não medirás as tuas forças.
O anjo do bem te levará consigo, sem permitir que os teus pés se
magoem nas pedras.
Ele, que vigia o sono das crianças e coloca nos seus olhos uma luz
pura que apetece beijar, é também guerreiro forte.
Verás a tua mão tocar rochedos grandes e fazer brotar deles água verdadeira.
Olharás para tudo com espanto.
Saberás que, sendo tu nada, és capaz de uma flor no esterco e de um
archote no escuro.

Para sofrer aquilo que não sabias ser capaz de sofrer.
Para viver daquilo que mata.
Para saber as cores que existem por dentro do silêncio.
Continuarás quando os teus braços estiverem fatigados.
Olharás para as tuas cicatrizes sem tristeza.
Tu saberás que um homem pode seguir em frente apesar de tudo o que
dói, e que só assim é homem.

Para gritar, mesmo calado, os verdadeiros nomes de tudo.
Para tratar como lixo as bugigangas que outros acariciam.
Para mostrar que se pode viver de luar quando se vai por um caminho
que é principalmente de cor e espuma.
Levantarás do chão cada pedra das ruínas em que transformaram tudo isto.
Uma força que não é tua nos teus braços.
Beijá-las-ás e voltarás a pô-las nos seus lugares.

Para ir mais além.
Para passar cantando perto daqueles que viveram poucos anos e já envelheceram.
Para puxar por um braço, com carinho, esses que passam a tarde
sentados em frente de uma cerveja.
Dirás até ao último momento: "ainda não é suficiente".
Disposto a ir às portas do abismo salvar uma flor que resvalava.
Disposto a dar tudo pelo que parece ser nada.
Disposto a ter contigo dores que são semente de alegrias talvez longe.

Para tocar o intocável.
Para haver em ti um sorriso que a morte não te possa arrancar.
Para encontrar a luz de cuja existência sempre suspeitaste.
Para alcançar a estrela inalcançável.


(À minha grande amiga Cris que há alguns anos - Novembro de 2005, achou que eu precisava deste texto para ir, para alcançar o inalcançável, este post é para ela, toda, e para todos reflectirem sobre ele, está cá tudo)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A voar!


Imagem: Aeroporto de Oslo

Ser lançada no ar e não parar,
voar, voar até ao próximo lugar,
ir sempre e ser lançada no espaço onde as estrelas nos encaminham
e só um farol nos faz voltar ao mar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O MEC é que sabe!


Imagem: Paul Robertso "Blame Your Green Eyes"

O Norte é mais Português que Portugal.

As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
(...)
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança.
(...)

(excerto do texto do MEC - Norte)

Contra verdades não há argumentos, ai não há não!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Para mais tarde recordar!








Imagens: Guimarães , fotos do meu amigo e grande fotógrafo Paulo Pacheco

Um dia como o de hoje, não se esquece!

A minha cidade, que me viu nascer pintou-se de branco, a última vez que me lembro foi em 1981, quando eu ainda não tinha dentes, e hoje saí das portas do escritório e vejo um manto branco a cobrir tudo e todos, a alegria das caras das pessoas é incrível, não se esquece o brilho nos olhos, o espanto, a vontade de ser criança.

As corridas às janelas, os ais que se ouviam, o desejo de ver mais e mais, é mesmo um dia que não se esquece.

Este post só podia ser branco!

Guimarães vestido de branco!







Imagens: Claustros da Câmara de Guimarães, hoje
Um manto vestiu a terra de branco.

Neve em Guimarães




Imagens: meu amigo João Lopes


Um manto branco que pinta as cores da terra!

Estou emocionada.

Guimarães no seu melhor!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Crónica Noruega I






Imagem: Fiord de Oslo e Oslo, Dezembro de 2008

Assim, se começa uma reportagem de uma viagem à terra do frio.
entram barcos nas ilhas em redor de oslo, com gente, com produtos, com vida,
e a cidade ao longe pinta-se com as cores do pôr-do-sol das três das tarde.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Vento do Novo Ano


Imagem: Silaev

Chego com vontade de partir!

volto mas os olhos ficaram lá,
o coração veio comigo,
o corpo também, porque a alma está de mãos dadas no meu peito,
regresso de va gar, porque a minha bússola não me falta,

encontrei o meu norte há mais de um ano, e neste ano ele ruma pelo mar, nas estrelas, nos caminhos, nas estradas, montanhas, quer faça chuva ou sol.

Derreti-me na neve que não faltava, saltei nas pranchas do sonho,
e voltei,

voltei neste novo ano,

onde a imaginação não falta,
onde as luzes dentro das casas são memórias presentes,
onde as orelhas nunca tinham frio,
onde os lábios se aquecem noutros,
e onde marquei o meu caminho, que é sempre rumo ao norte!

rumo a este ano, onde as colheitas serão feitas a meias,
onde todos os frutos serão colhidos por inteiro,
onde as curvas dos corpos se entrelaçam nas estradas.

o fogo pintou o céu em paletes de todas as cores,
pintou-as com rasto até aqui!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Inverno, estação com apeadeiros!


Imagem: Piit

No Inverno tu caminhas sobre as sombras do sol,
agasalhas-te na lareira e deixas o copo aquecer,
no inverno tu abres a persiana e, os raios de sol
desenham-se nas paredes e espreguiçam-se no sofá.

No Inverno, a comida é quente, as luzes da noite têm cor,
as pessoas agarram-se e aquecem-se,
no inverno tu tens as cores da manhã,
as manhãs que salto da cama e vou sentir a cidade a passar o dia.

No Inverno foi quando tu me abraçaste com ar de me querer,
foi quando o sorriso se instalou, o coração saltou,
e as calles de vigo assistiram ao desenlace.

No Inverno foi quando nasci,
foi quando despertei,
no Inverno há Natal,
no inverno aqueço-me nas tuas palavras,
que soletras devagar no meu corpo

O Inverno é a estação que o farol tem luz e ilumina,
é a estação que me veste,
nesta estação cheia de apeadeiros,
onde o comboio pára e arranca devagar até outra,
onde as lentes não desfocam,
onde é tudo claro,
onde a neblina veste os campos,

onde o olhar aumenta a cada novo sentido!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pelo Sonho!


Imagem: Lieko Shiga

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria,
ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


(Sebastião da Gama)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A ti PAI!



A Ti,

que me ajudaste sempre a subir,
e nunca me deixaste cair!

a Ti,
Feliz Aniversário!
ainda faltam escrever páginas para te descrever!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O gelo!


Imagens: Giedrus Varnas

Gelou?
Gelou a estrada à noite,
Gelou o alcatrão que nos molda,
Gelou o dia de cinzento,
Gelou?
Gelou o telhado da casa,
Gelou?
Gelou a varanda, a janela tem vapores, os fumos saem de todos os cantos,
Gelou?
Gelou o rio que caminha pelas águas,
Gelou o corpo,
Gelou a sombra,
Gelou o candeeiro com luz,
Gelou a árvore que se despiu,
Gelou a flor sem pétalas,
Gelou a conversa que ficou a meio,
Gelou?
Gelou?
Mas é tempo de gelar, é tempo de frio, é tempo de agasalhar, é tempo de mimar os dias com luz das velas e,
da alma,
essa que aquece e que transborda dos olhos, essa que derrete o gelo e aquece o outro,
essa que vem de dentro e que nos faz deslizar na vida e nos dias como se fossem últimos,
essa que aquece a água que bebemos,
essa que nos faz transpirar,
essa que tem cor, essa,
essa,
essa que não gela,
que faz as pernas tremer, a face corar, e os olhos a irradiar, essa,
essa,
essa,
essa,
essa,
essa,
essa,
que a sinto e a tenho!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Hoje é para elas!


Imagem: Wang Wi Gang

As pessoas grandes nunca percebem nada sozinhas e uma
criança acaba por se cansar de ter que estar sempre a explicar-lhes tudo.

(Antoine de Saint-Exupéry)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Já cheira!


Imagem: Claudio Naboni

Lá em casa já cheira a Natal!

A árvore já reluz,
a lareira já se acendeu,
a luz já nos vestiu,
as sombras das luzes já desenham as paredes,
o corre e corre das prendas já acabou,
os enfeites já estão pendurados,
as caixas de música já deram a corda,
a neve das bolinhas já se soltou,
o espírito já bateu à porta,
os sofás já se enchem de gente com alma,
a gata já se pendura nos ramos,
_______já vesti a pantufa,
___________________já senti o amor,
_______________________________já vi a luz,
______________________________________já incendiei a lareira,

........ assim como o amor me incendeia a mim!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Os Degraus


Imagem: Patricio Suarez

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.

Não desças, não subas, fica.

O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

(Mário Quintana)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pinheiro - Uma grande noite







Há noites onde os toques se sentem nas caixas, nos abraços, no vinho que não falta, no pinheiro bem no alto, nos rojões quentinhos, nas papas em cada prato, nas mesas cheias de amigos, nos bombos que se rompem.
Noite tardia, onde o frio aquece, onde a madrugada é longa, onde as conversas se dissipam no alcool que se vai bebendo.

Há melhor noite do ano.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ao meu AMIGO, a ELE



Hoje é o dia do meu AMIGO!
O MEU amigo de todas as horas e momentos,
entre uma viagem,
uma guiness que não falta,
um cigarro ou dois ou três,
aos concertos em terra batida,
ao sofá em noites de choro,
ao deitar em noites tardias,
o meu amigo é de verdade e existe,
existe em mim porque me molda devagar,
porque se esculpiu na minha vida e não sai mais.

O meu amigo, desce de Lisboa, pára em Coimbra, dorme em Gaia, diverte-se no Porto e ruma até ao Berço para mimar os meus dias,
ainda não há palavras inventadas para dizer quem é o meu amigo,
é esse que não falta,
é esse que atravessa caminhos soltuosos ou a direito para dar a mão,
é esse que não gosta de travessias no deserto, nem que seja a camelo,
é esse que me abraça e tudo passa,
é esse que caminha agora pelos 38,
é UM AMIGO ÚNICO!

Entre conversas tardias,
um gin tónico na varanda,
um desejo infinito da felicidade,
é esse o meu amigo,
que não falta nunca!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Não há pachorra, ai não, não!



Imagem 1: Haverá Sangue de Paul Thomas Anderson
Imagem2: Os amores de Astrea e Celadon de Eric Rohmer

Ontem dediquei-me ao cinema e aos filmes, mas devia era ter ficado a dormir, se calhar via coisas melhores.

Iniciei pelo "Haverá Sangue", com um dos meus actores favoritos Daniel Day Lewis, e de facto quase que houve sangue lá em casa, de aborrecimento, de seca, de olhar para o ecrã e admirar que todas as personagens do filme eram horriveis, não havia uma que escapasse, até o míudo que fica surdo, nem esse, me suscitou qualquer carinho.
O Daniel Day Lewis é de facto um actor único, interpreta fantasticamente o papel, mesmo quando não gosto.
Um filme capitalista, onde os presumiveis capitalistas eram de facto os mais agradavéis, porque desde o Padre que pregava a expulsão do diabo e se tornou o próprio diabo, ao irmão que não era irmão, ao pai que não era pai, ao filho que afinal era orfão, eram de facto personagens insuportavéis, mais capitalistas que os capitalistas.

Mas, depois de uma horas sempre à espera que algo de facto se alterasse em mim, o que não aconteceu, dirigi-me ao Cineclube de Guimarães, que normalmente passa os filmes que eu adoro, mas ontem de facto o bom mesmo, era ter ficado no sofá.

Fui ver o "Os Amores de Astrea e de Celadon", adoptado de uma história de amor barroca extraída do romance de Honoré d'Urgé (1568-1625), que de facto me fez rir, e me fez sair ao intervalo, o que retenho do pouco que vi, é que fora ser muito muito mal interpretado, a história resume-se a um pastor que de rastos pela sua amada não acreditar nele, diz:

- vou-me atirar ao rio!

e de facto atirou-se, tendo sido encontrado por uma ninfa dona de um castelo, que se apaixona por ele e não o liberta, a resposta dele, foi:

- vou-me atirar novamente ao rio!

de facto não sei quantas mais vezes ele se atirou ao rio, porque saí no intervalo.

E só posso dizer, não há pachorra mesmo, ai não há não!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O único bem precioso!



Dá-me um beijo como se fosse na boca, dá-me um beijo como se fosse na tua. Dá-me um beijo como eu te dou porque quero sentir na pele o incondicionalismo do meu amor, só para saber quanto custa o que não tem preço mas que, para ti, estará eternamente na prateleira das promoções com o desconto do infinito e uma menina a dar amostras, às quais te fazes cara para que te dê o valor. E o valor sei-o de cor como os lápis de cera que derreti à Santa, pedindo-lhe para interceder junto do teu olhar para que me visses com outros olhos, os gentis que não tinham graduação… por não serem oficiais e não precisarem de óculos.

Dá-me o virar da cara para te conhecer melhor a face esquerda. Dá-me o virar da cara para te conhecer melhor a face direita. E à terceira dás-me os lábios para que eu te mostre o que tenho andado a praticar às escondidas com as tuas bochechas.

Sabes, eu e algumas partes do teu corpo somos cúmplices e não sabes mas conheço-te como não imaginas porque te vês mal… com a rudeza de quem julga o belo como a um filme mau que era preciso ver em boa companhia, com o maior dos intervalos e com o enredo que só as carícias sabem engrossar.

E agora conheço-te completamente como o fruto que me escorrega no sumo até ao queixo, mas que eu resgato com cuidado para que nada se desperdice. É importante que o amor não se desperdice porque o amor, nos dias que correm, é o único bem precioso.

(João Negreiros, Luto Lento)

Lançamento do livro luto lento, de João Negreiros, a ter lugar no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, no Largo Doutor José Novais, no dia 22 de Novembro pelas 22 horas.
Nesta noite poderá deliciar-se com João Negreiros, através das interpretações viscerais e absolutamente comoventes de alguns dos poemas do seu mais recente livro de poesia.
A não perder!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A morada


Imagem: Lilya Corneli

Um dia voltarei à morada das papoilas
colher os versos vermelhos
que semeei na seara.

Um dia o vento estará maduro.


(Albano Martins)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Guimarães Jazz 2008



Começa hoje, sem perder um único som, o programa aqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um vento de amor


Imagem: Gwendoly Kraehnfuss

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.


(Khali Gibran)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Os ginásios



Sempre detestei ginásios, e tudo o que os rodeava, a música normalmente bem alta para que todos oiçam mas sempre a mesma..., as aulas com nome sempre de body qualquer coisa, bem que podiam ser chamadas murros em dança, socos no ar, mas os nomes body pump, body attack, soam sempre melhor.

Nas passadeiras corre-se, corre-se, corre-se para chegar a lado nenhum, a bicicleta sobe e desce montanhas quietas, as roupas dos utilizadores sempre o último grito, combinadíssimas e sem qualquer encorrilho, se possível com as marcas a piscar, os cabelos sempre ao vento que não existe, as conversas de ocosião, pde ser que leve a mais algum lado.
Os corpos, bem definidos, com os músculos bem salientes e mais um peso a ajudar a tonificar mais qualquer coisa.

Diga-se adoro desporto, nunca gostei foi de ginásios, sempre fui um bocado preguiçosa correr, não era bem o meu ideal para um fim de serão, pesos nas pernas nos braços, deitada ou de pé, quantos menos melhor, sempre fui atleta mas gostava era da competição da adrenalina do jogo, do convívio com as amigas e com os treinadores.

Nunca gostei de ginásios, mas lá estou, se calhar como quase todas as outras pessoas!!!!

Não sabia era da existência dos profissionais do ginásio, fazem todas as aulas, são especialistas do step, do peso, saltam a cordam, transpiram na bicicleta, entram às cinco da tarde e quando a empregada da limpeza já suspira pelo último cliente ainda se agarram às máquinas para queimar a última caloria. Fazem os exercícios com um rigor, já todos de cor, olham-se no espelho e admiram-se o quão bom são à beira destas novatas que chegam e tropeçam logo nos pés, que correm atrás dos outros e elevam o braço esquerdo ao invés do direito.... que erro!!!!! ai, ai, ai!!!!

Mas minha gente o que conta é fazer qualquer.... nem que seja ao contrario, nem que seja 10 minutos a uma velocidade lenta.

É verdade que a culpa disto tudo, é do presunto, da manteiga, das francesinhas especiais, da batata frita, da chouriça, da morcela, do queijo da serra, dos patês e dos rojões minhotos, o exterior não se nota, mas estas comidas deliciosas colam-se no interior e depois ai, ai, o colesterol, os triglicerídeos!!!!!

E, pronto la fui eu pedalar, bombar, e como dizem os brasileiros malhar, para um ginásio!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O tempo no relógio que para e não para!


Imagem: Avela

Há alturas em que gostava de brincar com o relógio e, pará-lo,
bloqueá-lo onde me apetecesse, para que o tempo parasse comigo,
todos os ponteiros teriam a mesma hora, a minha, a que eu quisesse,
o tempo que não andasse, mas que me fizesse mover dentro dos ponteiros,
aí sim, teria tempo para escrever,
para ouvir,
para criar,
para
para
para
para........................................ parar!

Mas o tempo anda e dispara e muitas vezes, corro corro e não o apanho,
ou porque durmo demais e não vejo o dia a não ser na almofada,
ou porque não durmo, e fico a encostar-me à rua onde vagueio e adormeço nela,
ou porque o tempo é pequeno para tudo aquilo que cabe em mim.

Se os ponteiros parassem eu só quereria que eles andassem outra vez, e voassem, e me levassem com eles no tempo,
este que nos resta todos os dias,
todos os dias temos que o agarrar para sorrir,
para partilhar,
para que ele pare no nosso peito, e fiquemos horas a contemplar o momento que temos,
ali, lá, aqui, sempre, hoje,
e não o percamos nos outros momentos.