quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A casa onde às vezes regresso é tão distante

Imagem: Jlintz's

A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos

Durmo no mar, durmo ao lado do meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo

Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração

(José Tolentino Mendonça - A Que Distância Deixaste o Coração)

23 comentários:

un dress disse...

tive este poema no un dress.

belO

belO


...

quin[tarantino] disse...

... há sempre tempo ... pois nunca é tarde para entregar o coração ...

rosasiventos disse...

chocolate

e

sapato de ferro



chocolate

bluegift disse...

Lindo. Simplesmente lindo. Regresso por vezes a essa casa distante.

P-S disse...

Sempre a melhor selecçao de poemas... muito bonito...

Alma Nova disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Alma Nova disse...

A minha Casa nem sempre é o sítio onde moro...mas onde mora o meu Coração! E a essa encontro-a sempre, aconchegante e quente, envolta em mares de ternura.

Anónimo disse...

Partidas e regressos...
Vidas e mortes...
Amores e desamores...
E tudo habita em nós...

Tiago R. Cardoso disse...

Não analiso nem completo, apenas dizer gostei, muito bem conseguido.

lupussignatus disse...

Monções que inundam o pensamento...

Ad astra disse...

e o tempo, que não nos dá tempo...

Joanne disse...

Que poema lindissimo.
*

Ana Pallito disse...

A delicadeza de quem sabe onde bem se VIVE.

Muitos corações!

João José disse...

A casa estranaha-se porque já não é tua, o coração fez um upgrade e não é compatível com o resto do corpo, a memória falha e não repõe a última versão "boa"... há muito vento!

SILÊNCIO CULPADO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SILÊNCIO CULPADO disse...

Sim, por vezes a casa a que se regressa é tão distante. É tão largo o mundo que trazemos no peito para caminharmos!...

Miguel disse...

Escolheste um dos poemas mais bonitos do Tolentino. Ele que é da terra onde o mar se vê e se oferece de todos os pontos de vista. Um beijinho

walter disse...

Minha querida deixa essa casa vazia e vem sentar-te ao pé de mim no meu Cadeirão para tomares um copo.

Hanah disse...

Maravilhoso !!!!


P.S.: Adorei seu comentário lá no Blog.... uma tarefa dificil...

um transgressão obliqua....

Dalaila disse...

Olá Un Dress!

está lá tudooo.

Olá Quitarantino!

dar-se sempre.

Olá Bluegift!

ter uma casa é sempre bom.... mesmo que só apareça de vez em quando

Dalaila disse...

Olá P-S!

vocês inspiram-me.

Olá ALma Nova!

e assim habitas em ti

Olá Sniper!

e assim é viver, na plenitude.

Olá Tiago!

a sensação é o mais importante.

Olá Lupus!

e mudam e mudam e voltam e voltam

Olá Astra!

e o tempo que acaba com algum tempo.

Olá Joanne!

toca.nos

Olá João!

e nesse up grade sinto as palavras o vento, e vou voando com aluz dos faróis dos amigos, e retorno sempre a casa, onde nasci.

Olá SIlêncio!

mas encontramo-nos mesmo na distância.

Olá Miguel!

e é nesse ver que nos aproximamos.... do mar.

beijinho.

Olá Walter!

irei... ver-te no teu canto

Olá hanah!

Palavras que vão fluindo....

Claudia Sousa Dias disse...

Gostei particularmente da última frase.

Linda de morrer.

CSD

Dalaila disse...

Sim Claudia, toca-nos por dentro.