quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Guimarães Jazz 2008



Começa hoje, sem perder um único som, o programa aqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um vento de amor


Imagem: Gwendoly Kraehnfuss

Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem vos possa ferir.


(Khali Gibran)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Os ginásios



Sempre detestei ginásios, e tudo o que os rodeava, a música normalmente bem alta para que todos oiçam mas sempre a mesma..., as aulas com nome sempre de body qualquer coisa, bem que podiam ser chamadas murros em dança, socos no ar, mas os nomes body pump, body attack, soam sempre melhor.

Nas passadeiras corre-se, corre-se, corre-se para chegar a lado nenhum, a bicicleta sobe e desce montanhas quietas, as roupas dos utilizadores sempre o último grito, combinadíssimas e sem qualquer encorrilho, se possível com as marcas a piscar, os cabelos sempre ao vento que não existe, as conversas de ocosião, pde ser que leve a mais algum lado.
Os corpos, bem definidos, com os músculos bem salientes e mais um peso a ajudar a tonificar mais qualquer coisa.

Diga-se adoro desporto, nunca gostei foi de ginásios, sempre fui um bocado preguiçosa correr, não era bem o meu ideal para um fim de serão, pesos nas pernas nos braços, deitada ou de pé, quantos menos melhor, sempre fui atleta mas gostava era da competição da adrenalina do jogo, do convívio com as amigas e com os treinadores.

Nunca gostei de ginásios, mas lá estou, se calhar como quase todas as outras pessoas!!!!

Não sabia era da existência dos profissionais do ginásio, fazem todas as aulas, são especialistas do step, do peso, saltam a cordam, transpiram na bicicleta, entram às cinco da tarde e quando a empregada da limpeza já suspira pelo último cliente ainda se agarram às máquinas para queimar a última caloria. Fazem os exercícios com um rigor, já todos de cor, olham-se no espelho e admiram-se o quão bom são à beira destas novatas que chegam e tropeçam logo nos pés, que correm atrás dos outros e elevam o braço esquerdo ao invés do direito.... que erro!!!!! ai, ai, ai!!!!

Mas minha gente o que conta é fazer qualquer.... nem que seja ao contrario, nem que seja 10 minutos a uma velocidade lenta.

É verdade que a culpa disto tudo, é do presunto, da manteiga, das francesinhas especiais, da batata frita, da chouriça, da morcela, do queijo da serra, dos patês e dos rojões minhotos, o exterior não se nota, mas estas comidas deliciosas colam-se no interior e depois ai, ai, o colesterol, os triglicerídeos!!!!!

E, pronto la fui eu pedalar, bombar, e como dizem os brasileiros malhar, para um ginásio!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O tempo no relógio que para e não para!


Imagem: Avela

Há alturas em que gostava de brincar com o relógio e, pará-lo,
bloqueá-lo onde me apetecesse, para que o tempo parasse comigo,
todos os ponteiros teriam a mesma hora, a minha, a que eu quisesse,
o tempo que não andasse, mas que me fizesse mover dentro dos ponteiros,
aí sim, teria tempo para escrever,
para ouvir,
para criar,
para
para
para
para........................................ parar!

Mas o tempo anda e dispara e muitas vezes, corro corro e não o apanho,
ou porque durmo demais e não vejo o dia a não ser na almofada,
ou porque não durmo, e fico a encostar-me à rua onde vagueio e adormeço nela,
ou porque o tempo é pequeno para tudo aquilo que cabe em mim.

Se os ponteiros parassem eu só quereria que eles andassem outra vez, e voassem, e me levassem com eles no tempo,
este que nos resta todos os dias,
todos os dias temos que o agarrar para sorrir,
para partilhar,
para que ele pare no nosso peito, e fiquemos horas a contemplar o momento que temos,
ali, lá, aqui, sempre, hoje,
e não o percamos nos outros momentos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O farol iluminado com bruxas voantes



Hoje elas andam à solta, doces, maravilhosas, feias e bonitas,
inundam as casas com cor, um presente ou uma partida, quem quiser que decida.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Neste terraço


Imagem: Margherita Blasi

Neste terraço mediocremente confortável,
bebemos cerveja e olhamos o mar.
Sabemos que nada nos acontecerá.

O edifício é sólido e o mundo também.

Sabemos que cada edifício abriga mil corpos
labutando em mil compartimentos iguais.
Às vezes, alguns se inserem fatigados no elevador
e vem cá em cima respirar a brisa do oceano,
o que é privilégio dos edifícios.

O mundo é mesmo de cimento armado.

Certamente, se houvesse um cruzador louco,
fundeado na baía em frente da cidade,
a vida seria incerta... improvável...
Mas nas águas tranqüilas só há marinheiros fiéis.
Como a esquadra é cordial!

Podemos beber honradamente nossa cerveja.

(Carlos Drummond Andrade)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Como se o vento trouxesse




Imagens: Emily Portmann

como se o vento trouxesse
recados
que pudesse abandonar
ao serviço do mensageiro

como se o vento te pudesse levar
e as palavras transformar
no milagre da cerejeira

não descuides o vento
que quem uiva
é lobo faminto

rodeia-te antes do essencial
faz-te cozinheira, semeia o teu quintal

o que por natureza rola
há-de rolar
e tu sozinha
o que podes contra o vento?

(Ana Paula Inácio)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Adoro-os e amo-os e vou



Passei horas
e horas,
_____dias,
_________semanas,
________________meses,
_______________________anos onde a minha maior companhia eram eles, no coração, no rádio do carro, na aparelhagem de casa, no dvd, no VHS, em Lps, CDS, DVDs, MP3 eles tocavam sempre, e quanto mais tocavam mais eu subia, mais eu caminhava, mais eu ia, mais eu me preenchia, mais eu acreditava, mais eu me inspirava, mais eu ficava em mim. Mais eu era eu, sempre que via mais um concerto na televisão, mais a pele se arrepiava, mais a vontade de os ouvir de novo batia mais forte.

Quando vi em DVD o concerto no Parque Bercy em Paris, senti que há músicas que foram desenhadas, dançadas, escritas, cantadas para nós, é o que aconteceu com a última música do concerto "Never let me down again" que me punha sempre a chorar, sempre arrepiada, sempre com vontade de estar ali no meio daqueles milhares de pessoas a abanar os braços e a sentir a força daquele som, daquelas vozes.

E, assim foi em Lisboa em 2006, estive lá, e senti isso tudo, agora na minha terra do coração no Porto espero vibrar mais uma vez, apesar de sentir que o ar livre tira intimismo, tira presença, tira proximidade, tira magia, mas não tira vontade de os ver, e não arranca músicas, por isso dia 11 de Julho lá estarei nem que chova canivetes, e haverá lá uma música, pelo menos, que será cantada para mim, porque é minha, porque vivo nela e percorro-a em cada acorde, porque me acordou.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Mesa dos sonhos


Imagem: Gwendolyn Kraehenfuss

Ao lado do homem vou crescendo

Defendo-me da morte quando dou
Meu corpo ao seu desejo violento
E lhe devoro o corpo lentamente

Mesa dos sonhos no meu corpo vivem
Todas as formas e começam
Todas as vidas

Ao lado do homem vou crescendo

E defendo-me da morte povoando
De novos sonhos a vida.


(Alexandre O`Neill)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O teu sorriso



Imagens: Elene Usdin

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
(…)
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

(Pablo Neruda)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Das manhãs no vento


Imagem: Gwendolyn Kraehenfuss

Das manhãs
Apenas levarei a luz
Despovoada

Sem promessas
sem barcos
E sem casas

Não levarei o orvalho das ameias
Não levarei o pulso das ramadas

Da tua vez

Levarei os sítios das mimosas
Apenas os sítios das mimosas

As pedras
As nuvens
O teu canto

Levarei manhãs e madrugadas

(Daniel Faria)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

As que ainda tocam- eternas!


Imagem: Patrizio Batagllia

Das músicas que já têm uns anos, há muitas que ainda vibram na pele e tocam por dentro:

1. Depeche Mode - Never let me down Again
2. Radio Head - Karma Police
3. Rufus Wainwright - Cigarrettes and Chocolate Milk
4. U2 - Sunday Bloody Sunday
5. Waterboys - The Wole of the moon
6. The Smiths - Panic
7. Tears for Fears - Shout
8. This Mortal Coil - Song to the Siren
9. New Order - Regret
10. Rush - Closer to the heart
11. Everything but a Girl - Missing
12. Apollo Four Forty - Lost in Space
13. Buggles - Video Kill the Radio Star
14. Eurythmics - Sweet Dreams Are Made Of This

e há ainda tantas mais!!!!!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O segundo do fim



O Teatro Universitário do Minho apresenta

O SEGUNDO DO FIM de João Negreiros

4 de OUT a 8 de NOV 4F a SAB às 21h30min
Braga Auditório do TUM (perto das Frigideiras da Sé)

Autoria/Encenação: João Negreiros
Elenco: Cátia Cunha e Silva, Dina Costa e Filipe Martins.
Cenografia: João Negreiros.
Desenho de Luz: Rui Maia.
Sonoplastia: João Negreiros.
Figurinos: criação colectiva.
Operação de luz: Benjamim Vaz
Operação de som: Emanuel Mendes

Idades: maiores de 14 anos
Preço: € 4 ; € 2 estudantes e sócios do TUM
Local: Braga Auditório do TUM, Rua do Farto (junto à Sé)
Reservas: teatrum@gmail.com 965530263 / 964344093

Eu não vou faltar!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Elogio ao amor puro


Imagem: Avela

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.
Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá, tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banalidades, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.

Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.
Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem .

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

(Miguel Esteves Cardoso)

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Chegou o Outono??


Imagem: Jean Fréderic Bourdier


Chegou o Outono,
já cheira a castanha assada,
é tempo de folhas no chão,
de vento a soprar,
do frio a arrepiar,
das luzes mais quentes nas casas,
das árvores a cintilarem as cores castanhas e vermelhas,
dos frutos mais quentes,
dos rojões e do cozido à portuguesa,
de lanches na lareira,
do casaco de lã,
do cachecol que nos abraça o pescoço,
do vinho que aquece
chegou o Outono,
e então?

Vamos vestir o bikini e mergulhar na praia!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Parche che bella la Italia!



Porque realiza filmes como este, onde tudo é perfeito,fantástico, os actores maravilhosos, a história soberba e um final delirante.

Por isto e tanto mais que a Itália é belissíma.

Fiquei colada à cadeira e mais uma vez voei dentro da tela.

"Accio e Manrico são irmãos, mas defendem ideais distintos. Accio é um fascista conflituoso e Manrico um comunista carismático. Os dois estão em constante confronto nos anos 60 e 70, época de grande agitação social e cultural. A sua relação é posta ainda mais à prova quando se apaixonam ambos por Francesca."

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pessoas que não desaparecem


Imagem: F. Pinto

Soltam-se as estrelas no céu
e levam as pessoas que nos são queridas,
há pessoas que não conheço,
mas pela história que têm,
pela doçura que falam,
pelas rugas na pele,
pelos passos que deram,
o que ensinaram a quem amamos,
o mapa que delinearam,
as estradas que percorreram,
conhecemos essas pessoas pelas outras,
e a essa pessoa que não conheço,
mas pela outra que amo,
Grito que se soltou uma estrela, e mais uma caminhou para o infinito,
que essa nunca se perde,
porque deixou memória,
e esculpiu-se no tempo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dança da chuva


Imagem: Ramez el Said

Quando um dia está de chuva,
o que se faz para ele sorrir?

A chuva passou pelos cantos das veias infiltrou-se no peito e molha tudo,
quem a dançou fui eu,
agora a chuva de fora não conta,
as nuvens que a lançam não as vejo,
sinto somente as de dentro,
as que eu criei,
as que nasceram nos passos que dei,
as nuvens de fora são secas,
a chuva que bate na vidraça é sol,
chuva é a que molha as artérias e se solta no peito como inundação.

Hoje chove,
e quem a dançou fui eu!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Locais desconhecidos


Imagem: Kéa

Tenho saudades dos locais que não conheço, que ainda não vi!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Hoi es para ti!


Hoi es para ti,
de azul, vermelho, rosa, ou branco,
hoi es para ti,
em noites de colo, de cinema, num restaurante, em viagens ou na tua casa,
hoi es para ti,
no teu carro ou no meu, nos kms de estrada, na areia da praia, num jantar em minha casa,
hoi es para ti,
numa troca de um livro, num Cd que se grava, num concerto que se salta,
hoi es para ti,
numa palavra que nunca falta, num abraço que nos aquece, numa conversa afinada a qualquer assunto,
hoi es para ti,
num farol que encontras, na poesia onde habitas, nos mangares que ofereces,
hoi es para ti,
na criteriosa escolha do café, dos vinhos, da leitura, estás tu,
hoi es para ti, todo,
porque hoi é o teu dia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Lugares que ficam


Imagem: RG, Beja - Agosto 2008

Há um Portugal que nos atravessa e nos faz ficar com o olhar lá marcado,
as ruas estavam praticamente vazias, os cafés suspiravam o calor,
nós caminhavámos por lá devagar como o tempo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A verdadeira trama


Imagem: Stephen Houde

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...


Como Eu Quero Viver com Você
....o Verdadeiro Amor..
que Não Se Desfaz .....!


(Vinicius de Moraes)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A casa!


Imagem: Deshaver


Há uma casa que me veste, onde eu me dispo!

Tem 4 janelas,

Uma contempla a rua onde as pessoas caminham sobre as pedras, tilintam com o frio e abrigam-se nas varandas.

A outra dá para o pátio onde os pássaros me acordam e bebem a àgua que pingam dos caleiros, no fim desse pátio há uma estufa que tem luzes laranjas à noite, onde se sentem as borboletas que vão pousando, onde a gata trepa e as tenta apanhar, por cada uma que apanha, um bigode se solta, um miar se garante e um caminhar seguro e delicado rumo ao seu quarto outra vez.

A terceira dá para o céu, onde todo o tecto tem as mesmas estrelas, deito-me no chão horas, e formo as estrelas, sinto a lua tocar-me e o sol incendeia toda a casa.

A última janela são os meus olhos, que caminham pela casa e a pintam com a minha cor, a minha casa é azul de manhã, ao almoço tem as cores dos cheiro da cozinha, das saladas colhidas, dos queijos derretidos, das laranjas espremidas, à tarde é laranja reflete-se por toda a casa o calor do fim da tarde, à noite tem todas as cores é branca onde a paz se instala, é vermelha da vida que a percorre e se espalha em cada veia e artéria, é negra quando a noite vem como um manto que a fecha.

O vento abre e fecha as trancas das janelas, penetra em cada compartimento e eleva-nos a qualquer parte.

Esta é a casa que me veste onde eu me dispo!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Regresso!


Imagem: Zambujeira do Mar, Agosto 2008

Regresso de va gar com vontade de partir,
recomeço onde ainda não estou,
sento-me onde a cadeira ainda não balança nos dias que me têm,
o chegar é nostálgico, as recordações dos tempos na areia, da água que nos salga,
das conversas tardias, do pôr do sol que nunca se põe porque ele está é em nós, fazem-me passar minutos, horas em silêncio.

Percorro a casa e vejo-me a partir sempre,
partir para onde nunca estive, para um lugar que me leve para dentro dele,
gosto de regressar aos amigos, aos jantares, aos copos de vinho partillhados,
à cama no escuro,
gosto de regressar com um pé sempre de fora.

Recomeçar, e tirar partido de tudo,
comer os frutos e deliciar-me na sombra,
encontrar as ruas vestidas com gente,
acordar ao som do despertador e esperar por um sábado, para um pequeno almoço tardio,
regresso aos cds, onde a música me acompanha,
regresso à correria dos dias,
regresso à casa que me acolhe,
mas vou sempre em ti para outro lado, onde as pernas tremam e a vista não alcance o fim.

Recomeço de va gar com vontade de partir!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O ninho do pássaro onde aterraste!





Nélson Évora voou no ninho do pássaro para um ouro, merecido!

O infinito é onde o coração nos leva!

Ergueu a nossa bandeira desde o primeiro dia e vestiu-a por dentro. «Vivi uma experiência inesquecível, ao transportar a bandeira do nosso país naquele estádio magnífico perante mais de 90 mil pessoas. Inesquecível!"

Parabéns.

O meu obrigada , este farol brilha hoje com cor de ouro na emoção, no querer, na vontade e principalmente no acreditar

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Uma ementa com gosto!




Uma noite por excelência!

Frio em Agosto,
uma praça escura onde a tela se reflectia nas caras,
uma praça viva com gente dentro,
e um filme que me levou a esquecer o meu ódio figadal aos ratos, a estes eu não fazia uma ratatouile não!

Por estas razões e outras eu adoro a minha cidade!

Um filme com todos os ingredientes em que todas as misturas se saboream a cada minuto, foi mesmo uma noite onde a ementa não falhou, só me apetecia saltar para o ecran e ficar a deliciar-me ....!!!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Prata que nos inspira



Imagena: IOL Portugal diário e Visão online


A ti, força viva de querer,
A ti Vanessa Fernandes parabéns!

A ti que nos brindaste com um mar de prata, onde a água te levou a padalar mais e mais e onde o esfalto não te fugiu dos pés.

A ti que me fizeste estar acordada e acreditar que era possível.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Até à volta!


Imagem: Sandra Muequin

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nós!

´
Imagem: Laurent Orseau

Nós somos os anjos
deste tempo

Astronautas,
voando na memória
nas galáxias do vento...

Temos um pacto
com aquilo que
voa

– as aves
da poesia

– os anjos
do sexo

– o orgasmo
dos sonhos


(Maria Tereza Horta)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Um salto a Paredes de Coura


O Ricardo e o João Nuno já lá estão, eu e a Di vamos dar um salto ao maior festival do Norte, e esperam-nos os The Rakes, os Editors e para acabar bem a noite os Primal Scream.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Chuva que molha o Verão


Imagem: Seansean

Esta chuva que nos molha,
que bate nos vidros e apetece ficar por casa a contar as gotas que saltam das nuvens,

esta chuva que tem cheiro a terra,
que inunda os corpos na rua,

esta chuva que bate em dias que o sol devia espraiar,
e que reluz no chão o branco que devia ser amarelo,
que nos faz escorregar em vez de transpirar,
que deixa que se respire,
que tem sabor a verão à espreita de um Outono ainda fechado,
que nos traz um inverno sem frio,
que nos tira a sede e nos impede de derreter,

esta chuva fora de horas num tempo que não conhecemos,
esta chuva que nos molha a norte e chega ao sul,
esta chuva que se confunde com as ondas do mar sem sal,
que nos banha em qualquer tempo,
porque este tempo
já não é o das estações que rodam no calendário,
é um tempo recente que cambia em cada ano.

E pego em cada gota e aqueço-a com a mão de um verão que ainda es para amanhecer.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Dunas onde me deito


Imagens: Michel Büschke

Vontade de me confundir com as Dunas e sentir a àgua nos pés que me refrescam,
olhar o céu e misturar-me com o azul,
arrefecer dos dias quentes,
e descansar no azul que me veste por dentro,
sentir o sal,
correr e marcar pégadas onde nem o mar as leve,
voar voar voar voar
deitada na areia e construir um castelo de emoções,
que me arrebatam para outras viagens,
para outros sítios,
locais,
mais frios ou mais quentes,
que me levem ao imaginário das bolas de neve quando tocadas pelas mãos,
essas que são as minhas nas tuas,
essas são as minhas dunas onde me deito.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Kings of convenience



Melodiosos,
Acústicos,
um prado de algodão doce,
beleza pura e calma,
duas vozes em paralelo que caminhavam directos ao coração,
assim foi ontem o concerto na Casa da Música,
onde no final as cadeiras pouco confortaveis deram lugar a um baile em pé onde todos batiam palmas e o corpo moldava-se a cada nota musical.

Valeu a pena saltitar neste céu de letras inspiradoras deste duo folk-pop indie de Bergen, Noruega que se assemelham a um Simon and Garfunkel dos anos 2000, aos Belle and Sebastian com toques de Pearlfishers.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Desperta-me de noite


Imagem: Jean Sebastien Monzani

Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito

É rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas

A trégua
a entrega
o disfarce

E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.

(Maria Tereza Horta)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os amigos que me pintam com cor do vento


Imagem: Dominguez

Há amigos que nos pintam com cor,
esses são os meus amigos,
aqueles que partilham uma música,
um jantar tranquilo ao sabor de um bom vinho e de um cigarro que vai empatando a conversa,
de um toque e um abraço que nunca falta,
de uma mensagem de boa noite ou bom dia,
que nos mandam um postal,
que nos limpam as lágrimas com sorrisos,
que nos marcam de rugas com gargalhadas mútuas,
que nos incendeiam com conversas até de madrugada onde o sofá nos vai aconhegando

_________estão,

_____________são,

________________têm,

____________________vêem,

_________________________ sentem,

brincam com as palavras que nos acariciam,
soletram poesia no modo de vida,
agarram as palavras que transmito,
esculpem e decifram p a l a v r a s na minha pele quer faça chuva ou faça sol,
que se enroscam à casa que os abriga,
que nos abrem a porta a qualquer hora,
são casas sem fechadura, onde a chave se chama amizade,

que nos encontram no sabor de uma tarte,
que nos cheiram num prado,
que nos vestem por dentro,
que me encantam todos os dias,

esses são os meus amigos que têm cor,
e me pintam o arco iris por dentro
em tempo de chuva,
de sol,
de neve,
granizo,
de dia e de noite,

onde os ponteiros não têm horas porque badalam ao bombear do coração.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Amor


Imagem: Modenkind

Cala-te, a luz arde entre os lábios,
e o amor não contempla, sempre
o amor procura, tacteia no escuro,
essa perna é tua?, esse braço?,
subo por ti de ramo em ramo,
respiro rente á tua boca,
abre-se a alma à lingua, morreria
agora se mo pedisses, dorme,
nunca o amor foi facil, nunca,
também a terra morre.


(Eugénio de Andrade)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O vento que incendeia


Imagem: Marcin Twardowski

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.

- Porém, tu sempre me incendeias.

(excerto de Herberto Helder em o Amor em visita)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

As linhas


Imagem: Sven Sholz

Quando uma estrada termina, há sempre uma seta,
uma avenida, uma rua, um caminho, um passeio, um carreiro,
uma auto-estrada, uma linha que começa!

A minha estrada é esta que sigo, que vou nela, com todas as curvas e cruzamentos,
páro nos entrocamentos,
acelero nas avenidas,
percorro os becos,
olho as janelas, entro nelas, sigo-as até aos pátios, esvoaço como os pássaros
e percorro a tua linha, que me desvia, que é descontínua que não tenho medo de atravessar, que me leva na mão, que se sente no pé, que me descalça no chão.
Essa estrada que é minha e de mais ninguém,
___________ estrada que me move e me pára,
essa estrada que és tu em mim,
_______________________ e sou eu na vida e nos cruzamentos de avenidas,
perfiro-as estreitas, com becos, luzes ténues, prefiro descobri-la devagar, que me chame para dentro dela, prefiro-a com cor, com muitas s que mude do amanhecer ao deitar,
prefiro-as devagar.
As estradas abertas, as avenidas - acelera-se mas terminam numa portagem, numa cidade, são fáceis.
______ os becos, as pequenas e estreitas ruelas, não terminam
_____________________________________________ e quando terminam sou eu a caminhar em ti!

terça-feira, 1 de julho de 2008

O vento estampado


Imagem: Jeff Carr

Estampas-te na água como em mim,
todas as sombras se abrem.